Cronologia bíblica do Antigo Testamento - esquema cronológico e sincronismos.

Monarquia Unida[editar | editar código-fonte]

Saul[editar | editar código-fonte]

  • Saul, de Gibeá, tribo de Benjamim, escolhido como primeiro Rei do Antigo Israel. Reinou por 40 anos. Foi ungido pelo profeta Samuel. Saul derrotou Náas, Rei de Amon, em Jabes-Gileade. O reinado se caraterizou por constante guerra contra os inimigos à sua volta. Ele era mais um líder e chefe militar do que um rei. (I Samuel 14:47-48) São conquistadas as guarnições dos filisteus de Micmás e a montanha de Betel, e Gibeá, a sul de Geba, e Geba. Impaciente, Saúl decide "oferecer ofertas queimadas" sem esperar por Samuel. (I Samuel 13:13-14) Na Batalha de Micmás, os filisteus são novamente derrotados. Na guerra contra os amalequitas, Saul foi considerado culpado de rebelião e desobediência, ao poupar Agague, Rei de Amaleque, e poupar o melhor do seu gado. (I Samuel 15) Samuel lhe diz que Saul foi rejeitado como rei. (I Samuel 15:23) É gravemente ferido e se suicida na Batalha do Monte Gilboa contra os filisteus. Nessa ocasião, o filisteu Aquis era o Rei de Gate.

David[editar | editar código-fonte]

  • David, de Belém, tribo de Judá, sucedeu a Saul. Reinou 40 anos. Reinou em Hébron, por 7 anos e 6 meses. Joabe conquistou a fortaleza dos jebuseus, no Monte Sião. Em Jerusalém, reinou por 33 anos. Celebrou uma aliança comercial com Hirão, Rei de Tiro.
  • Jerusalém, heb. Yerûshalayim, é um nome confirmado de diferentes maneiras, desde o século XIX AEC. De origem cananeia, significa provavelmente "cidade do (deus) Shalim". Na etimologia hebraica popular, "cidade da paz". Em textos egípcios dos séculos XIX e XVIII AEC, é pronunciado Urusalimum. Nas Cartas de Tell-el-Amarna do século XIV AEC, aparece como Urusalim. Em aramaico, se chama de Yerûshelem. Salém, hebr. Shalem, é a forma abreviada de Jerusalém. A cidade era conhecida pelo nome de “Jebus”, no período dos Juízes, porque os seus habitantes originais eram os jebuseus. Este nome não é confirmado fora da Bíblia.
  • No tempo de David, ficou conhecida por "cidade de David". (II Samuel 5:7) David mandou construir o Palácio Real (II Samuel 5:11) e algumas fortificações. Mandou construir uma estrutura chamada de "Milo", hebr. millô, "encher". Talvez fosse um aterro. (II Samuel 5:9; I Crónicas 11:8)

Salomão[editar | editar código-fonte]

  • Salomão, filho de David com Bateseba. Reinou por 40 anos.
  • Aliança matrimonial com a filha de Faraó (não identificado), recebendo nessa ocasião a cidade de Gezer como presente. Renova a aliança comercial com Hirão, Rei de Tiro. Possuía uma frota comercial de navios de longo curso no Golfo de Aqeba, que navegavam trianualmente até Ofir (provavelmente nas costas da África Ocidental ou da Índia).
  • No seu 4.º ano, tem início a construção do Templo de Jerusalém. Sua construção durou 7 anos. Isso terá coincidido exatamente com 480.º ano após o Êxodo do Egito. (I Reis 6:1) Construção do Palácio Real, o Pórtico das Colunas, o Pórtico do Trono, a Casa do Cedro do Líbano. Por fim, mandou construir o Palácio da Filha de Faraó, a sua principal esposa. São construídas diversas cidades para seus carros de combate e são fortificadas cidades-armazém. Entre os seus grandes empreendimentos foi a construção de Tadmor no deserto da Síria, servindo de entreposto comercial e posto avançado militar.
  • Após conclusão dos projetos de construção, exatamente 20 anos após o início da construção do Templo, terá ocorrido a visita da Rainha de Sabá (Iémen meridional).
  • Durante grande parte do seu reinado, a Palestina gozou de paz e grande prosperidade. Foi assinalado por uma notável atividade inteletual.
  • Nos últimos anos do seu reinado, tolera a idolatria e confirma o ecumenismo religioso, motivado pelos casamentos mistos. Salomão se tornou opressor do povo de Israel. Os seus inimigos, internos e externos, começaram a prevalecer centra ele.
  • Sheshonq I era Rei do Egito nos últimos anos do Rei Salomão e após a sua morte.

Após a Divisão do Reino[editar | editar código-fonte]

Obs.: Tenha atenção que as datações relativas abaixo mencionadas, são as mencionadas nos relatos dos livros bíblicos de I e II Reis e I e II Crónicas. Sua sincronização com a cronologia dos povos vizinhos apresentam inúmeras dificuldades, pelo que deverá tomar as informações abaixo com reserva. Estas dificuldades terão de ser explicadas e documentadas em artigo específico.

  • Roboão, filho de Salomão, se tornou Rei de Judá. Reinou por 17 anos. Jeroboão I se tornou Rei de Israel. Reinou por 22 anos.
  • No seu 5.º ano, Sheshonq I (na Bíblia, chamado de Sisaque) invade a Palestina. Arqueologia: muros do Templo de Amom em Carnak, Tebas. Estela de Sheshonq I de Megido.
  • Abijão (também chamado de Abias), filho de Roboão, se tornou Rei de Judá no 18.º ano de Jeroboão I. Reinou por 3 anos. Continuou a guerra com Jeroboão I. (I Reis 15:3,6,7; II Crónicas 13:3-20)
  • Asa, filho de Abijão (Abias), se tornou Rei de Judá no 20.º ano de Jeroboão I. Reinou por 41 anos.
  • No seu 2.º ano, Nadabe, filho de Jeroboão I, se tornou Rei de Israel. Reinou por 2 anos. É executado por Baasa. Fim da Dinastia de Jeroboão.
  • No seu 3.º ano, Baasa se tornou Rei de Israel. Reinou por 24 anos.
  • No seu 11.º ano, o etíope Zerá invade com um numeroso exercito o Reino de Judá. Batalha no Vale de Zefata, junto de Maressa.
  • No seu 16.º ano, Ben-Hadade I, Rei da Síria, invade o norte do reino de Baasa.
  • No seu 26.º ano, Elá, filho de Baasa, se tornou Rei de Israel. Reinou por 2 anos.
  • No seu 27.º ano, Zinri executa o Rei Baasa. Fim da Dinastia de Baasa. Onri, chefe do exército de Israel, se tornou Rei de Israel. Sitiou Tirza e Zinri se suicida no incêndio do Palácio Real. Onri reinou por 12 anos. Mandou fundar Samaria e onde reinou os últimos 6 anos.
  • No seu 31.º ano, Onri se tornou rei único, após a morte de Tibni.
  • No seu 38.º ano, Acabe [ hebr. Achab ], filho de Onri, se tornou Rei de Israel. Reinou por 22 anos. Casou com Jezabel, filha de Itbaal (na Bíblia, chamado Etbaal), Rei de Sídon. No seu reinado, Jericó] foi reconstruída. (II Reis 16:34) Em Samaria, mandou construir revestir de marfim o Palácio Real. Em Jezrael, o mandou construir um palácio de veraneio. Envolveu-se em guerras contra Ben-Hadade II. Samaria chega a ser sitiada, mas não é conquistada. Derrotou os sírios na Batalha de Afeque. Coligou-se com Jeosafá, Rei de Judá, para conquistar Ramote-Gileade, morreu após no sitio. Arqueologia: Samaria, Jezrael, Jericó.
  • Jeosafá (ou Josafá), filho de Asa, se tornou Rei de Judá no 4.º ano de Acabe. Reinou por 25 anos.
  • No seu 17.º ano, Acazias, filho de Acabe, se tornou Rei de Israel. Reinou por 2 anos. Revolta de Mesa, Rei de Moabe. (II Reis 3:4,5) Acazias aliou-se a Jeosafá de Judá expedição comercial a serem enviada a Ofir, mas os navios naufragaram no Golfo de Aqaba. (I Reis 22:48-49; II Crónicas 20:35-37) Como ele morreu sem herdeiros, o trono passou para o seu irmão Jeorão. Arqueologia: Pedra Moabita (Museu do Louvre).
  • No seu 18.º ano, Jeorão (ou Jorão), filho de Acabe, se tornou Rei de Israel. Reinou por 12 anos. Jeorão se coligou com Judá [ e Edom], para derrotar Moabe. Em Quir-Haresete, Mesa sacrificou seu primogénito para esconjurar a derrota. Jeorão é ferido pelos sírios no sítio de Ramote-Gileade. Foi executado por Jeú em Jezrael.
  • Jeorão (ou Jorão), filho de Jeosafá, se tornou Rei de Judá no 5.º ano de Jeorão, filho de Acabe, Rei de Israel. Reinou por 8 anos. Casou com Atália, filha de Acabe, Rei de de Israel.
  • Acazias, filho de Jeorão, neto de Jeosafá, se tornou Rei de Judá no 11.º ano de Jeorão, filho de Acabe. Reinou por 1 ano. Foi golpeado por Jeú, acabou por morrer em Megido. Arqueologia: Estela de Tell-Dã.

Após a execução da Casa de Acabe[editar | editar código-fonte]

  • Atália tornou-se regente do Reino de Judá e governou por 6 anos. Isto foi no 1.º ano de Jeú.
  • Jeú, se tornou Rei de Israel, sucedendo à Dinastia de Onri. Reinou por 28 anos. Se tornou rei tributário no 18.º ano de Salmanasar III. Jeú esteve em guerra com Ben-Hadade II, Rei da Síria, e seu sucessor, Hazael. A Dinastia de Jeú durará 48 anos lunares.
  • Arqueologia: Obelisco de Salmanasar III (Museu Britânico).
  • No seu 23.º ano, Jeoacaz, filho de Jeú, se tornou Rei de Israel. Reinou por 17 anos. Hazael, Rei da Síria, lhe impôe uma redução substancial do seu exército.
  • No seu 37.º ano, Jeoás, filho de Jeoacaz, Rei de Israel, se tornou rei. Reinou por 16 anos. Derrotou por 3 vezes Hazael, Rei da Síria.
  • Azarias (também chamado de Uzias), filho de Amazias, se tornou Rei de Judá no 27.º ano de Jeroboão II. Reinou por 52 anos.
  • No seu 38.º ano, Zacarias, filho de Jeroboão II, se tornou Rei de Israel. Reinou apenas por 6 meses. Foi executado por Salum. Fim da Dinastia de Jeú. Salum se tornou Rei de Israel e reinou apenas um mês. Foi executado por Menaém.
  • No seu 39.º ano, Menaém se tornou Rei de Israel. Reinou por 10 anos. Tornou-se tributário de Tiglate-Pileser III, Rei da Assíria. Na Bíblia, é chamado de "Pul" ou Pulu.
  • No seu 50.º ano, Pecaías, filho de Menaém, se tornou Rei de Israel. Reinou por 2 anos.
  • No seu 52.º ano, Peca executa Pecaías e se tornou Rei de Israel. Reinou por 20 anos.
  • Jotão, filho de Azarias (Uzias), se tornou Rei de Judá no 2.º ano de Peca. Reinou por 6 anos. Antes era co-regente com seu pai, porque o rei tinha ficado leproso, nos seus últimos anos de reinado.
  • Acaz, filho de Jotão, se tornou Rei de Judá no 17.º ano de Peca. Reinou por 16 anos. Sob pressão da guerra sírio-israelita, Acaz tornou-se tributário de Tiglate-Pileser III. Conquistou Damasco e executou Rezim, Rei da Síria. Em seguida, invadiu o Reino de Israel reduzindo-o à região montanhosa de Efraim.
  • No seu 12.º ano, Oséias executou Peca e torna-se Rei de Israel. Tiglate-Pileser III o confirma como rei. Reinou por 9 anos.
  • Ezequias, filho de Acaz, se tornou Rei de Judá no 3.º ano de Oséias. Reinou por 29 anos.
  • No seu 4.º ano, Salmanaser V invadiu o Reino de Israel e sitiou Samaria por 3 anos (722-720 AEC). Nesse tempo, Osorkon IV (na Bíblia, é chamado de "Sô") era o Rei do Egito.
  • No seu 6.º ano, Sargão II conquistou Samaria. Isto ocorreu em 720 AEC. . Tartã, enviado por Sargão II, conquistou Asdode.

Após a conquista de Samaria[editar | editar código-fonte]

  • No seu 14.º ano, Senaquiribe invade Reino de Judá (712 AEC). Conquista de Laquis e Libna. Batalha de Elteque. Rabsaqué sitiou Jerusalém com um exército de 185 mil soldados. Ezequias pagou tributo ao Rei da Assíria. A cidade não foi conquistada. Nesse tempo, Taraka (na Bíblia, chamado de "Tiraca") era o Rei do Egito. Recebeu visita de emissários de Madruk-apal-iddina II (na Bíblia, é chamado de Medroaque-Baladã ou Bedroaque-Baladã), que se tornara rei em Babilónia.

Arqueologia: relevos de Laquis (Museu Britânico), Prisma de Senaqueribe (Inst. Oriental da Univer. de Cichago), Inscrição de Siloé (Museu Arqueol. de Istambul), Túnel de Siloé. Fontes escritas: textos históricos assírios (Anais de Tiglate-Pileser III e Sargão II), as óstracas da Samaria e de Laquis e alguns livros bíblicos (Reis I e II; Crónicas, I e II; Amós, Oseias e Isaías). A par destas, os testemunhos arqueológicos provenientes das escavações de tells. Anais de Esar-Hadom, seu filho mais novo. Tablete de Nabopolazar narra a conquista de Nínive em 612 AEC, Predição dos profetas Naum e Sofonias. (2:13-15)

  • Manassés, filho do Rei Ezequias, reinou por 55 anos (696-642 AEC) Assassinato de Senaqueribe por seus próprios filhos. (II Reis 19:37-38) Seu filho mais novo, Esar-Hadom, tornou-se Rei da Assíria. Manassés foi levado como prisioneiro para Babilónia, por chefes do exército assírio. (II Crónicas 33:11) Restablecido no trono, foi tributário de Esar-Hadom e Assurbanipal.
  • Amon, filho do Rei Manassés, reinou por 2 anos (641-640 AEC).
  • Josias, filho do Rei Amon, reinou por 31 anos (639-609 AEC).
  • No seu 12.º ano, teve início a reforma religiosa no Reino de Judá. No seu 18.º ano, achou-se no Templo "o livro da Lei de Moisés". Realizou-se uma celebração ímpar da Páscoa.
  • Conquista de Assur em 614 AEC. Conquista de Nínive em 612 AEC. Conquista de Harã em 610 AEC. Josias é gravemente ferido e morreu em 609 AEC, na Batalha de Megido ao tentar deter o exército de Neco II. Conquista definitivamente Harã. Nabucodonosor derrotou do exército de Neco II - que veio em auxílio de Assuruballit II, o último Rei da Assíria. Isso marca o fim definitivo do Império Assírio.

Últimos Reis de Judá[editar | editar código-fonte]

  • Jeoacaz, filho de Josias, reinou por 3 meses (609 AEC). Foi chamado a Ribla e deposto por Neco II. É levado prisioneiro para o Egito. Em seu lugar, Neco nomeia Jeoaquim, filho de Josias, como Rei de Judá.
  • Jeoaquim (ou Jeoiaquim, antes chamado de Eliaquim), filho de Josias, reinou por 11 anos. (608-598 AEC) Se tornou rei tributário de Neco II. Após a Batalha de Carquermis, em 605 AEC, Nabopolazar morreu. Nabucodonosor, seu filho, foi aclamado Rei de Babilónia. O seu 1.º ano de reinado foi o 4.º ano de reinado de Jeoaquim. O Rei de Judá se torna rei tributário de Nabucodonosor II (isto é, Judá passou a "servir o Rei de Babilónia"). Ao fim de dois anos, Jeoaquim se rebelou e procura o auxílio do Egito.
  • Joaquim (depois chamado de Jeconias), filho de Jeoaquim, reinou por 3 meses e 10 dias. No 8.º ano de reinado de Nabucodonosor II, em 598 AEC, Jerusalém é sitiada e Joaquim se rende. Ocorre a primeira deportação.
  • Zedequias (antes chamado de Matanias), filho de Josias, reinou por 11 anos. (587-587 AEC) Jerusalém foi conquistada no 19.º ano de reinado de Nabucodonosor II, em 587 AEC). Nesse tempo, Apriés era o Rei do Egito. (Jeremias 44:30; 37:5-11) Seus habitantes são deportados em massa para Babilónia. A cidade e seu Templo são destruídos. Após o assassínio do governador Gedalias, o restante dos judeus foge para o Egito e a terra de Judá fica sem habitantes. Nesse tempo, Baalins era o Rei de Amon.
  • Jeremias 39:3 nomeia os príncipes de Nabucodonosor presentes no sítio final de Jerusalém. Veja Neriglissar e Nebo-Sarsequim.
  • A destruição de Jerusalém sobreveio quando Apriés (na Bíblia, chamado Hofra) era Rei do Egito. Segundo a cronologia egípcia, Apriés começou a reinar em 589 AEC.
  • VAT 4956 (Museu Britânico) fixou astronomicamente o 37.º ano de Nabucodonosor em 568 AEC. Determina 605 AEC como seu “ano de Ascensão”. Refere uma batalha travada por Nabucodonosor II contra Amasis II. Segundo a cronologia egípcia, este Faraó começou a reinar em 570 AEC.
O conteúdo da comunidade está disponível sob CC-BY-SA salvo indicação em contrário.